Como identificar um bom design é uma pergunta que muitos designers, empresários ou entusiastas fazem: afinal, como eu consigo identificar um bom design?
O que faz parte de um bom design?
Como criar um bom design?
O que eu preciso saber para isso?

Como identificar um bom design: digital. Neste artigo nós delinearemos alguns passos importantíssimos na hora de você, empresário ou designer, identificar um bom design.

1 – Antes de tudo, design não é arte.

Nesse aspecto há muita divergência. E é compreensível que haja. Porém, é importante notar que a arte se difere do design. Não estou aqui falando que um é melhor em detrimento do outro, porém assumem diferentes objetivos e formas de expressão.

Arte, num sentido amplo, faz alusão a uma prática há séculos disseminada à sociedade. É uma expressão pessoal de um(a) artista sobre o modo de ver o mundo e tenta transmitir uma mensagem relativa a sua percepção. Artistas como Michelangelo e DaVinci são exemplos notáveis e memoráveis de como sua percepção de mundo moldou e ainda molda alguns parâmetros para conseguir definir e identificar o que é arte.

Design, por sua vez, tem por definição um objetivo comunicacional ou expressivo relacionado a transmissão de uma mensagem. As primeiras manifestações do design se deram através da escrita em cavernas, há milênios. Nossa concepção moderna de design data do final do século XIX quando as primeiras manifestações propagandísticas se tornaram alvo de efeitos visuais para impactar um maior público para que se tornasse efetivo.

Você pode discordar e está tudo bem caso o faça. Mas se dizer “artista” quando na verdade é um “designer” soa incongruente e não é a concepção do termo.

2 – O design no meio digital deverá ajudar o usuário a encontrar o que deseja.

Se voltarmos nos anos 90, nós conseguiremos identificar quão horripilante eram as páginas da época. Os browsers de navegação da internet eram o NetScape e o Internet Explorer. Ambos muito pouco desenvolvidos e as linguagens de programação não tinham tamanha capacidade criativa como as que possuímos hoje.

O boom da telefonia móvel ainda era incipiente e os smartphones ainda nem eram tendência. No Brasil a internet era cara e sua velocidade muito reduzida. Portanto, na área de criação de websites, nós tínhamos poucas capacidades criativas e muito o que ser explorado.

site mais antigo da internet

Sua construção era em formato de tabelas e os gifs pareciam dominar totalmente o espectro criativo dos designers na época. O termo “webdesigner” ainda era novo e pouco usual. As pessoas nem sequer acreditavam na eficiência de um bom site.

O tempo passou e as necessidades foram se moldando em detrimento dos novos dispositivos com tecnologias antes nunca vistas.

O usuário começou a ter poder de conexão e a ter um consumo mais elástico.

As páginas começaram a tomar uma forma mais dinâmica e os navegadores foram se modernizando para novos formatos de linguagens de programação.

Os sites começam a ter outras formas de se comunicarem e as pessoas começam a interagir e trocar muito mais informações na web.

A partir de 2008 a importância para o usuário foi abrupta. Não se pensava mais de forma linear, mas dinâmica. Como poderiam os webdesigners criarem plataformas de comunicação ou páginas de produtos para que seus clientes conseguissem desfrutar mais ainda da comunicação que tinham a oferecer bem como fazer com que as empresas revertessem as vendas no ambiente digital.

A partir desse momento e com constante melhoria nas tecnologias disponíveis, o usuário se torna o centro das atenções para os designers no meio digital.

Hoje em dia é inevitável uma empresa ter sua presença no meio digital. Os designers precisam sim se preocupar com os fatores adjacentes à sua carreira que os capacitam a criarem plataformas visuais que facilitem a vida de um usuário que busca por informação a cada momento.

As páginas precisam ser otimizadas para os motores de busca e o visual atraente o suficiente para que seu usuário não se aborreça ou pense demais antes de tomar uma ação. Caso contrário, seu design não cumpriu a função básica: informar e ajudar.

3 – Sua página web ou seu aplicativo comunicam o que é necessário ser comunicado?

As pessoas na internet buscam informação de forma rápida e precisa. Portanto é importante que seu design comunique de forma concisa e clara quais materiais que seu usuário encontrará frente a enxurrada de apelo visual disponível na internet.

Tenha atenção aos detalhes. Você está usando os formatos corretos de texto? Está usando cabeçalhos para guiarem visualmente quem está acessando seu site, aplicativo ou outra plataforma digital? As fontes que você está utilizando são fáceis de ler ou ficam tracejadas em diferentes monitores?

4 – Você tem testado a paciência do usuário? Se sim, nada bom.

Em qualquer projeto, quando você oferece aos seus visitantes algum serviço ou ferramenta, tente fazer com que o usuário preencha menos passos possíveis. Quanto menor forem as ações que os usuários tomem para atingir alguma tarefa específica, mais provável serão as chances que ele retorne.

Visitantes de primeira viagem estão mais inclinados a brincarem com os serviços disponibilizados, não a preencher listas de e-mail ou formulários de cadastro. Talvez eles nunca usem seu serviço, mas estão dispostos a testá-lo. Deixe que os usuários explorem sua página e o que tens a oferecer. Não é congruente fazer com que o usuário ponha o e-mail ou informações privadas para que ele teste uma feramenta.

5 – Um bom design se empenha em focar a atenção do usuário.

Já que as páginas atualmente disponibilizam conteúdos tanto estáticos como dinâmicos, alguns aspectos da sua interface vão gerar maior atenção do que outras. Obviamente, imagens são mais facilmente captadas pelos olhos do que textos – assim como sentenças em negrito são mais facilmente visíveis do que um texto comum.

um bom design digital

O olho humano é um dispositivo altamente não linear, e usuários da web podem instantaneamente reconhecer bordas, padrões visuais e animações. Isso se deve porque propagandas baseadas em vídeo são extremamente enjoativas e distrativas, porém do ponto de vista do marketing elas cumprem perfeitamente o trabalho de capturar a atenção dos usuários.

O único elemento que é diretamente visível aos usuários é a palavra “de graça”, “grátis”, “free”, que funciona perfeitamente atrativa e apelativa, porém ainda assim de forma pura e informativa. Sendo que ainda dispõe ao usuário informação suficiente sobre como encontrar mais informação sobre o produto gratuito.

Focar a atenção do usuário em áreas específicas do site com um uso moderado de apelo visual ajuda os visitantes a chegarem ao ponto que procuram. Quanto menor forem as perguntas, melhor será o senso de orientação do usuário sobre se ele deverá ou não confiar em você como provedor de soluções eficientes.

6 – Perceba o uso de textos efetivos e claros.

Como o meio digital é diferente do meio impresso, é necessário ajustar o tipo de escrita para as preferências dos usuários e seus hábitos de buscas. Textos promocionais não serão lidos. Longos blocos de textos sem imagens e “keywords” marcadas em negrito ou itálico serão evitadas. Linguagem exagerada será ignorada.

Evite nomes fofos ou espertinhos, palavras específicas de marketing (a não ser que seja um conteúdo específico para tal), palavras específicas de uma empresa e linguajar técnico pouco conhecido. Por exemplo, se você quer que um usuário se cadastre em um serviço, é melhor escrever “inscreva-se” do que “comece agora”.

Uma boa solução para seus futuros textos são:

  1. - Use frases curtas e concisas (vá ao ponto o quanto antes);
  2. - Use um layout consistente (categorize seu conteúdo, use múltiplos leveis de cabeçalhos, use elementos visuais e listas para quebrar o fluxo de um texto linear);
  3. - Use uma linguagem objetiva e direta (uma promoção não necessita soar como uma propaganda: dê aos seus usuários algumas razões objetivas do porquê eles quererem usar seu serviço ou permanecerem no seu site).

7 – Simplicidade quase sempre é bom.

Na verdade é realmente difícil superestimar a importância dos espaços em branco. Não apenas ajudam a reduzir o carregamento de informações para os visitantes e como no Brasil a internet ainda não é vantajosa para nós, ajuda no carregamento da página.

Quando um visitante entra em seu site, a primeira coisa que ele percebe é o design do seu layout, mesmo ele não entendendo nada de design. Ele imediatamente começara a escanear visualmente o conteúdo de forma a tornar todo ele mais digestivo.

Estruturas complexas são mais difíceis de ler, analisar e de navegar. Se você tem a chance de separar dois segmentos de conteúdo entre uma linha ou um espaço em branco, é mais indicado que você use os espaços em branco (comumente chamados de “Whitespace”). Estruturas hierárquicas reduzem a complexidade.

E aí, você está usando adequadamente essas regrinhas para seus designs?  Se sim, parabéns, sua capacidade de perceber e utilizar um bom design está bem alta.

Alguma sugestão?  Diz pra mim :).

Beijos do Pava!